9 de fevereiro de 2011
há uns dias passados, acordei querendo que minha mão cobrisse meu rosto todo, pra que amenizace minha pequenês, minha vergonha ou falta de sorte. depois eu quis que alguém me pedisse uma bebida e de repente a garrafa escorrega-se, então, eu teria uma cicatriz eterna e uma história conjunta pra contar. depois um desses malditos aparelhos celular ou um desses remédios incomuns vem parar perto demais e a gente se esquece do mundo real. não há coração que resista a alagamentos de inutilidades. então, percebi que não adianta querer esbarrar no que provavelmente funcionaria, quero corações como processadores e sem memória altamente significante. continuo no meu ritmo de alivio ou sobrevivência obrigatória, lendo meus livros e vendo a vida passar ao lado de fora. enquanto aqui dentro as coisas vão revivendo, pouco a pouco, sem parar de tentar.converso com quem eu não conheço e me esqueço, de repente a minha vida toda tá na ponta da língua de um desconhecido: foda-se.o que seria mais um corte pra quem tá com o corpo quase destruído? quero companhia incomum, quero menos desencontros, gostaria de mais abraços. por favor.
5 de fevereiro de 2011
por mais que eu tente, por mais que eu evite, por mais que eu resista, só o teu olhar, mesmo que em fotos, já é suficiente pra reacender todo o amor que eu havia pensado parado de sentir. as pessoas podem dizer que sou louca, podem dizer que meus textos e palavras são vazios, que tu nunca vai me amar, mesmo assim te amo. apesar de tudo, tudinho, tudão, eu só te quero comigo. nada impede que meu coração fique sempre junto contigo. eu o amo de um jeito meu, jeito chata, jeito sentimental demais. queria eu, que me amasse só três minutinhos por dia. meu dia teria apenas três minutos, pois tu é ele, tu é meu acordar, é meu anoitecer, é meu sonhar. olhe, sinta, toque, ouça, agarre, beije. esse amor é todo teu. eu sou toda tua. isso tudo é amor. por favor, três minutinhos apenas? mesmo que sejam os meus últimos.
3 de fevereiro de 2011
passei dias andando na contramão e foi preciso que meu corpo quase se chocasse com um veículo pra que eu me atentasse que não tava caminhando do lado certo, tava no lado oposto, navegando contra cada onda daquele mar furioso de olhares e silhuetas. elas me confundiam. uma cabeça pra centenas de vozes, cada uma com uma versão sobre a história que tu contava, por vezes queriam lhe tirar o papel de diretor. ouvi risadas irônicas, vozes estremecidas, calorosas, palavras de carinho e até exageros de afeto e discórdia, era difícil desviar de tanta palavra que atiravam no ar.quase enlouqueci, ecoava na minha mente, uma rebeldia de decibéis entrelaçados a frases prontas e facilmente decoráveis. fechei os olhos, aos poucos tudo se distanciava, aos poucos eram sussuros, facilmente derrotados pelo batimento acelerado desse coração, aos poucos, não aos poucos, mas eu sabia que só isso era importante, esse som, só esse, só ele que eu deveria ouvir, por que ele calado diz mais que tudo que se pode falar, ele sente. mudei de lado, tô no caminho certo e se não for eu vou caminhar sem medo, rotacionei meu corpo pra sair da contramão, já era hora de parar de desviar, que desviem de mim. eu tô indo.
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