3 de maio de 2010
os dedos do pé estavam devidamente encolhidos e guardados, não tava tão frio assim, mas em noites de solidão o edredom costumava a ser a única companhia protetora. em meio a tanta bagunça, ela precisava ver algo que fizesse algum sentido. não que isso fosse necessariamente possível em um filme, mas essa foi a solução mais simples e rápida que encontrou. vocês sabem, sua especialidade é provocar problemas e não resolve-los. o trailer demorou o suficiente, pra que desse vontade de ir na cozinha procurar alguma coisa que ela certamente sabia que não tinha. não foi, desde pequena tem medo de enfrentar a escuridão que existe entre o quarto e a cozinha. eram apenas alguns passos de distância, mas a imaginação sempre foi fértil o suficiente pra que a pequena reta se transoforma-se em um imenso labirinto. isso não importa mais, agora a vontade já passou e o filme começou. a atriz principal era como ela, pelo menos era o que pensava. o mocinho tão apaixonante, que mesmo de longe se apaixonou. ele era bobo, mas sabia perfeitamente o que queria. o oposto de alguém que ela conhecia, de alguém que comparava a todo momento. entre tramas de vilões e quase beijos de mocinhos, ela mergulhou. a vida desinteressante, tinha se transformado em pixels de uma televisão cheia de adesivos. e por mais que ela não quisesse acreditar, aquela sensação de felicidade só duraria por mais alguns minutos. o mocinho beijou a noiva, e deixou a nossa pequena sozinha na cama. mergulhada no vazio, olhando pras letras que são impossíveis de acompanhar.o problema é que filmes com histórias perfeitas sempre acabam mais rápido e os atores sempre mudam de personagem. por mais que isso pareça injusto, o final é necessário. perfeição tem tempo certo pra durar, pra sempre enjoa..